Fenômeno da Ressurgência



Este cabo foi chamado de Cabo Frio devido as baixas temperaturas das águas do mar neste ponto do litoral. Essas águas frias são resultado de um fenômeno natural conhecido como RESSURGÊNCIA, que ocorre em raros pontos dos oceanos da terra. Em Arraial do Cabo, a ressurgência ocorre como resultado da ação dos ventos do quadrante leste/nordeste aliado ao movimento de rotação da terra, que Provoca o afastamento das águas quentes da Corrente do Brasil que descem pela costa do nordeste em direção ao sul. Quando essas águas afastam-se da costa, há uma subida das águas frias da Corrente das Malvinas que correm em sentido contrario as águas do corrente do Brasil ou seja, se deslocam do sul em direção ao nordeste.

Este fenômeno arrasta os nutrientes que repousam no fundo até as camadas iluminadas do mar. No fundo, na ausência de luz, esses nutrientes são inertes. No entanto, quando atingem as camadas iluminadas, são utilizados pelas algas microscópicas, através da fotossintese, e provocam uma " explosão " das microalgas ( o fitoplancton ) que são o inicio da cadeia alimentar marinha. Essas microalgas abundantes se constituem em alimento dos pequenos animais marinhos ( zooplancton ) que crescem mais rapidamente servindo de alimento para peixes pequenos que vão alimentar os peixes maiores e assim sucessivamente, até os peixes grandes, de valor comercias. Por este motivo Arraial do Cabo é rico em pescado. A ressurgência portanto, fertiliza o mar.

A ressurgência tem seu ponto central na Praia do Focinho na ilha de Cabo Frio, mais conhecida como Ilha do Farol e tem uma área de influência que atinge ao norte o município de Macaé e ao sul do município de Mariá, transformando essa região num dos maiores pólos pesqueiros de Estado do Rio de Janeiro, quiçá do Brasil.

Esta situação geográfica particular propicia uma grande alternância de correntes marinhas ( em direções diversas e sempre mudando ) e também uma grande diversidade de espécie vegetais e animais. Aqui temos a ocorrência de espécies que vivem tanto no litoral sul como no litoral norte sendo considerado como limite geográfico dessas espécies.

Quando os ventos mudam, como a chegada da frente fria ocorre o fenômeno inverso, chamado SUBSIDÊNCIA que é descida das águas frias da Corrente das Malvinas com o retorno das águas quentes da Corrente do Brasil. Como aqui os ventos predominantes são os do quadrante leste/nordeste, a situação mais freqüente é a de RESSURGÊNCIA.

 

Projeto Ressurgência: o fim da

degradação ambiental em Arraial do Cabo

A Reserva Extrativista Marinha de Arraial do Cabo foi criada em 1997 com o objetivo de preservar a pesca tradicional em pequena escala. No entanto, ao longo dos anos, passou a enfrentar a pesca predatória imposta por pescadores industriais, em detrimento dos pescadores locais cuja atividade é para subsistência; a falta de fiscalização, devido à fraca atuação do Ibama;o desrespeito aos limites por grandes embarcações e/ou cooperativas de pescadores que não são da região; a especulação imobiliária; conflitos entre pescadores e turistas e o desemprego da população local.

Foi com o objetivo de pôr um freio na degradação que surgiu o Ressurgência, um projeto do Laboratório de Sistemas Avançados de Gestão de Produção (Sage), da Coppe/UFRJ, com o apoio da Petrobras. E já é uma realidade, que precisa do envolvimento cada vez maior da comunidade local para que se consiga desenvolver um modelo de co-gestão para a reserva, através do qual todos os que vivem na região possam utilizar de forma sustentável os seus recursos. 

Como as principais beneficiárias são as comunidades pesqueiras tradicionais, o projeto desenvolve uma pesquisa junto a essas comunidades para conhecer como vivem, como podem ser agrupar em prol da própria atividade, permitindo o resgate, a preservação e o uso do saber dos pescadores artesanais.

O Ressurgência possui o intuito de diagnosticar as potencialidades para o extrativismo sustentável, a partir de um estudo da flora e da fauna da reserva; buscar o conhecimento tradicional dos pescadores artesanais para o co-gerenciamento sustentável das zonas costeira e marinha  e, sobretudo, recuperar e preservar o ecossistema marinho e costeiro.

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